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CRÔNICA DO LOVE TIMES
12.06.2017
O amor não é imortal, posto que é chama. Mas que seja infinito enquanto dure
Houve um tempo em que você resolveu andar somente em sua própria companhia. Após relacionamentos que não deram certo, e com preguiça de procurar e iniciar qualquer nova paquera, você seguia apenas com Vinicius de Moraes: “Nunca fui covarde, mas agora é tarde. Amei tanto que agora nem sei mais chorar…”. É que você não precisava de ninguém. Também não queria mais sentir as dores do amor. Decidiu caminhar por aí completando os seus vazios com trabalho, viagens e o que viesse pela frente.
Pelas trilhas que percorreu, fez novos e queridos amigos. Provou bebidas, comidas e sabores que desconhecia. Visitou lugares diferentes (tanto fora como dentro de você). E tudo isso aconteceu porque você se arriscou por caminhos nunca antes percorridos: desde descer uma cachoeira no rapel até transmutar para palavras escritas toda inspiração que o inquietava.
Assim, conheceu a alegria da solitude e viveu dias tristes na solidão; e estava tudo bem. Você seguia seus dias como queria (e como podia). Você descobriu que é possível ser feliz sem ter alguém, e que não ter ninguém é bem melhor do que estar em uma relação de obrigação (como quem se casa sem amor somente porque precisa dizer que está casado).
Então, num dia comum (como nesses dias em que a rotina o envolve e você não espera mais nada além de voltar pra casa no início da noite com a sensação de missão cumprida), você esbarrou em alguém. Despretensiosamente, vocês conversaram. Trocaram olhares. Sorriram e se despediram com a sensação de que o dia terminava diferente. Algo havia mudado. O “diferente” começou a se revelar em seu sorriso e em seu olhar. Por onde passava, as pessoas queriam saber o que tinha acontecido e qual era a novidade.
Você não pensava mais em voar pelos ares de uma nova paixão (dava medo só de pensar em levar outro tombo), e também já havia se habituado aos domingos vazios e às festas de família em que somente você não formava um par. Você já estava acostumado a dormir ouvindo somente a voz do Vinicius. Porém, ao surgirem conversas ao telefone que se perdiam nas horas da noite, junto com a alegria que chegava com a proximidade do reencontro, o tempo e a distância em que não houve paixão na sua vida se preencheram de um sentimento bom. O período em que você andou só sumiu com a mesma velocidade com que surgiu o desejo de repetir aquele “beijo que dura uma música inteira”.
Ao perceber a felicidade explodir dentro do peito, você descobriu que ela é verdadeira porque não tem obrigação. Esta euforia que surge do nada para ser tudo, que é um sentir sem entender, e é querer voar mesmo correndo o risco de cair.

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Apresentação: Binho Nunes
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