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CRÔNICA DO LOVE TIMES
09.05.2016
O meu silêncio não significa que eu esqueci!
Autor(a): Marcel Camargo
Ao contrário do que possa parecer, muitas vezes o silêncio tem muito a dizer. Muitas vezes ele carrega no seu aparente vazio uma intensidade tamanha de sentimentos e de carga emocional muito mais significativa do que enxurradas de palavras ou gestos exagerados. O silêncio pode acalmar, ferir, amparar ou até mesmo violentar, às vezes trazendo paz, outras vezes incitando tempestades, nem sempre o silêncio é pacífico. O silêncio pode ser revolta, rebeldia, decepção contida. Nem sempre estamos prontos para expressar os nossos pontos de vista, o que temos no nosso interior. Assim, mesmo que estejamos discordando de algo, calamos, pois não temos a coragem necessária para nos libertarmos dessa prisão que nós mesmos criamos, ou mesmo porque sabemos que qualquer tentativa de diálogo será inútil e cansativa naquele momento. O silêncio também pode corresponder à reflexão, a um turbilhão de pensamentos pulsando dentro da gente. O pensamento e a fala devem conviver harmonicamente, de forma que um não atropele o outro. Às vezes, o silêncio é solidão, vazio. Mesmo acompanhados, ainda que no meio de muitas pessoas, podemos estar solitários, nos sentindo sozinhos. Como se não fizéssemos parte da vida do outro, como se fôssemos dispensáveis. Perdidos nessa irrelevância emocional, ruímos por dentro, minando a nossa autoestima e a nossa capacidade de ser feliz.
Outras vezes, o silêncio é desistência. Há momentos em que o mais prudente a se fazer é desistir de algo, de alguém, de tentar convencer, de querer amar, de clamar por atenção e reciprocidade. Certas situações pedem que partamos para outra, que canalizemos as nossas forças e energias em direção ao que nos trará contrapartida, retirando-nos dos apelos vazios, do mendigar afetivo, pelo bem da nossa saúde física e do nosso equilíbrio emocional.
Silêncio, da mesma forma, pode significar desapego, libertação, livramento de amarras que nos impedem o caminhar tranquilo da nossa jornada. Precisamos nos despedir de tudo aquilo que pesa nos nossos ombros, e que nos impede de ver as possibilidades que nos reserva o futuro. Temos que acalmar aquilo que nos perturba, e atirar fora bagagens sem as quais conseguiremos viver melhor.
O silêncio muitas vezes também é mágoa, ressentimento, lamentação acumulada. Na impossibilidade de encontrarmos coragem de vivermos as nossas verdades por inteiro, de rejeitarmos o que não nos completa nem nos define, de impormos aquilo em que acreditamos, acabamos por sufocar os nossos sentimentos mais íntimos sob a infelicidade de aparências condizentes com o que todo mundo espera – exceto nós mesmos.
Felizmente, no entanto, o silêncio também pode – e sempre o deveria – implicar felicidade, certezas, convicção e força. Sabermos o momento certo para calar e guardar para nós aquilo que pensamos pode nos salvar de problemas dispensáveis com gente que não significa nada na nossa vida. Quando estamos seguros quanto ao que somos, quanto aos nossos sonhos e planos de vida, nenhum barulho é capaz de abalar a nossa verdade. Quando o silêncio guarda o que temos de mais precioso, é sinal de que estamos caminhando rumo ao alcance dos nossos sonhos, para poder dividi-los com quem temos amor de verdade, e com ninguém mais.
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